segunda-feira, 2 de maio de 2016

RESENHA E PROSA ENTREVISTA: JORGE LOURENÇO



Olá pessoal, 

Hoje vamos conhecer um pouco melhor este escritor dessa nossa nova safra brasileira, estamos falando de Jorge Lourenço, nascido e criado no Rio de Janeiro, mais precisamente no Morro do Andaraí.


Podemos dizer que Jorge Lourenço é um escritor já conceituado no meio jornalístico, Jorge Lourenço já escreveu para vários jornais conceituados, portais da internet e por ai vai.

Comecei a conhecer um pouco deste escritor após iniciar a leitura de sua obra ( RIO 2054: Filhos da Revolução ), quando postei um artigo sobre o livro procurei os contatos em suas redes sociais e consegui descolar essa entrevista.

Espero que vocês gostem, pois assim, estamos estreando em grande estilo nossa sessão de entrevistas do Resenha e Prosa online.

Sendo assim, entrem e fiquem a vontade...
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Olá, Jorge, tudo bem com você? Seja bem vindo ao nosso blog Resenha e Prosa online.

Espero que você tenha gostado deste projeto, que está apenas no começo, mas que pretendo ir melhorando e aperfeiçoando com tempo.

Mas vamos lá para nosso bate papo.

Para começar nosso bate papo, gostaria que você falasse um pouco sobre o Jorge Lourenço, pessoa, profissional, escritor, gamer... enfim, um pouco sobre você.


Bem, vou deixar um pouco da biografia que coloquei no site do Rio 2054 (www.rio2054.com.br).

Jornalista e fã de ficção científica, JORGE LOURENÇO já escreveu para o Jornal dos Sports, UOL e assinou a tradicional coluna de política do Jornal do Brasil, o Informe JB. Nascido e criado no Morro do Andaraí, cresceu com insônia e assistiu (até demais) filmes de ficção científica no Corujão, quando TV a cabo não era tão acessível e a internet engatinhava. Estudou no Colégio Pedro II e é fã de Gabriel Garcia Marquez, Haruki Murakami, games e mangás. Um dia, não conseguiu se controlar; decidiu que precisava escrever um livro. O resultado está aqui: o mundo partido entre asfalto e favela, onde cresceu, serviu para dar vida à cidade de Rio 2054.


Agora vamos a algumas perguntas...

1 – Após pesquisar um pouco sobre seu histórico, eu descobri que antes de lançar seu livro você já havia escrito para colunas de esportes, atualidades e política, como surgiu a ideia de criar um livro de ficção científica, direcionado para o universo cyberpunk?


Eu sempre fui um grande fã do universo cyberpunk. Na infância e na adolescência, filmes como Robocop, Matrix, Akira e Ghost in the Shell sempre estiveram entre os meus favoritos. Mais tarde, fui apresentado a obras como Neuromancer e Blade Runner, que também me influenciaram muito. E trabalhar como jornalista, na verdade, sempre me deu muitas ideias para escrever livros. Quando você convive com o dia-a- dia da política, percebe que ela é bem mais suja e sem espírito do que a maioria das pessoas imagina. Isso tudo me incentivou ainda mais a querer colocar no papel um pouco desse cinismo e falta de compromisso com a sociedade que o governo e grandes conglomerados empresariais têm, algo que cai como uma luva para o gênero cyberpunk.


2 – Você ainda trabalha com jornalismo ou se dedica exclusivamente à criação? Como você fez para conciliar estes dois universos (o da realidade atual –Jornalismo- e o possível cenário de um Rio de Janeiro futuro – RIO 2054) durante o processo de criação do livro?

Ainda trabalho com jornalismo, mas hoje com o foco mais corporativo. Confesso que conciliar a escrita com o trabalho, ao menos para mim, foi bem difícil. Eu comecei a escrever Rio 2054 em 2008, mas só consegui dar atenção total para o livro em 2012, quando me demiti do meu trabalho e tirei alguns meses sabáticos para me dedicar ao livro. Foi um período sensacional e terminei o livro em menos de dois meses. Sobre conciliar as realidades diferentes, isso não foi tão difícil. O jornalismo, como eu disse na outra pergunta, até é um aliado a mais na escrita, ainda mais no gênero cyberpunk. A ideia da guerra civil, por exemplo, surgiu enquanto eu cobria os protestos contra a partilha dos royalties do petróleo, em 2008.

3 – Os personagens de RIO 2054 têm alguma influência em pessoas que vivem ou viveram com você?

Bastante.
Muitos dos meus amigos serviram de inspiração para personagens do livro, especialmente os amigos do Miguel. Na época em que escrevi o Rio 2054, estava andando muito com um grupo de amigos e alguns deles estão retratados do livro, como Anderson e o Nicolas. Alguns outros personagens também seriam inspirados neles, mas acabaram saindo do livro eventualmente. Isso ajuda bastante na hora de caracterizar o personagem, a maneira como ele fala, seus trejeitos e aparência. Foi uma experiência da qual gostei nesse primeiro livro.

4 – Você sempre fala que suas inspirações são principalmente Akira, Ghost in the Shell e Neuromancer. Quando você teve a ideia deste cenário distópico, acontecendo na cidade cartão postal do Brasil, você levou em consideração a situação atual da cidade do Rio de Janeiro e um possível futuro, ou você se espelhou em suas inspirações e usou a cidade como plano de fundo?

Um pouco dos dois. 
Eu sempre tive a sensação de que os brasileiros em geral pareciam um barril de pólvora prestes a explodir. A discussão dos royalties do petróleo me mostrou bem isso, assim como as passeatas no Rio de Janeiro. Eu sentia que havia muita insatisfação ali, prestes a explodir. E o que aconteceria se explodisse? E se o Brasil ficasse polarizado ao ponto de gerar uma guerra civil? Seis meses depois do lançamento do meu livro, para a minha surpresa, começaram as manifestações de 2013. Acho que acertei no timing ( risos).

5 – Qual o seu autor favorito? Ele te influencia no seu modo de escrever ou seu modo de desenvolver a trama é uma mescla de autores e fontes?

Meu autor favorito é Gabriel Garcia Marquez.
Além de adorar todos os seus livros, gosto muito de como ele usa os cenários e a narração das locações para descrever elementos implícitos da história. É uma das minhas grandes inspirações e acho que, por sermos jornalistas, aprecio muito uma coisa que ele faz em seus livros: poucas expressões rebuscadas, poucas tentativas de mostrar algum tipo de vocabulário superior. Algo que gosto muito nele e no Machado de Assis – outro que se arriscou no jornalismo – é como são diretos e sem grandes firulas. São feitos para que qualquer um possa entender seus livros.

7 – Qual a sua estratégia para escrever? Você trilha um caminho e depois vai desenrolando o enredo ou você prefere escrever e ver como os personagens podem reagir com as situações?

Eu sempre preparo um roteiro antes, sem sombra de dúvidas. Quase tudo que acontece no desenrolar dos meus livros já é delineado desde o começo. É claro, alguns momentos me surpreendem. Às vezes, você está escrevendo determinado trecho que já delineou na cabeça um milhão de vezes, mas surge uma ideia nova e tudo muda. Mas, na grande maioria, gosto de planejar cada capítulo.

8 – Você já encontrou alguém lendo o seu livro em algum lugar? E qual foi a sensação quando isso aconteceu?

Encontrei uma vez no trem e fui reconhecido na rua outras duas vezes. Uma tomando café no Edifício Garagem, no Centro do Rio, e outra no metrô. Foi engraçado, eu fico muito sem jeito e tímido. Mas é bem legal ver esse reconhecimento.

9 – A cada dia que passa, a publicação de livros impressos fica mais prejudicada, principalmente devido aos aspectos financeiro e de distribuição. O que te levou a trilhar o caminho da literatura? O Que te motivou?

Paixão. 
Eu sempre gostei muito de escrever, fosse para guardar as histórias comigo ou para jogar RPG com meus amigos. A história do Rio 2054 é muito, muito antiga. Pelo menos a origem dela. Começou como um RPG que fiz para meus primos em 2000, quando tinha apenas 15 anos e tinha acabado de assistir Akira e jogar um jogo de Playstation 1 chamado Galerians. Anos depois, um colega de escola iniciou um projeto para fazer um jogo de videogame e aprimorei a história daquele RPG para algo se passando no Brasil. Isso foi em 2004. Depois de muitos anos com essa história na gaveta, eu finalmente decidi começar a escrevê-la e transformá-la num livro em 2008. Eu nem tinha grandes pretensões, para ser sincero. Sequer esperava publicá-la, já que a ficção científica nunca foi muito a praia dos brasileiros. Na época, escrevi os três ou quatro primeiros capítulos e coloquei em algumas comunidade do Orkut, onde comecei a ganhar alguns seguidores. Eles viviam me perguntando como a história continuaria, se eu acabaria um dia, mas acabei deixando para lá pela falta de tempo (eu fazia faculdade e dois estágios ao mesmo tempo, ou seja...).

Só fui voltar a essa história em 2012. Minha esposa – então minha namorada – achou os rascunhos do livro no meu computador, leu e gostou muito. Insistiu muito para que eu continuasse a escrevê-la. E daí para frente foi só alegria.

10 – Enquanto você escreve, tem alguma pessoa a quem você recorre para te dar conselho ou te ajudar na trama?

Minha esposa e alguns amigos meus que gostam muito de ler. Uso sempre eles como meus leitores beta.

11 – Quanto tempo você demorou para escrever RIO 2054: Filhos da Revolução?

Se você contar o tempo todo, então foram 4 anos – entre 2008 e 2012. Mas, na verdade, ele foi escrito em um período de um mês em 2008 e depois cerca de dois meses em 2012.

12– Você tem algum novo projeto em andamento?

Estou escrevendo São Paulo 2054, que é uma história que se passa no mesmo universo de Rio 2054 e em paralelo com o primeiro livro. Alguns personagens e pontas soltas dele voltam aqui, mas é uma história completamente diferente.

13 - Seu trabalho foi publicado em outros países? Se não, você tem este interesse?

Não foi, mas seria algo sensacional, sem dúvida.

14 – Qual leitura você recomenda para seus fãs e leitores?

Infelizmente, falta opção para leitores de cyberpunk no Brasil. Para quem pode ler em inglês, recomendo MUITO os livros Windup Girl e Altered Carbon.

15 – Tem algum conselho a dar para seus leitores e para novos escritores?

Não parem de escrever. Muita gente acha que existe um “dom” de quem escreve, mas isso não é verdade. Escrever é uma prática que você afina com o tempo. Mesmo que os projetos não deem certo e mesmo que o resultado final não fique bom, continuem escrevendo e aprendendo com seus erros.

16 – E por último, você pensa, ou já recebeu algum convite para fazer uma adaptação do enredo de RIO 2054: Filhos da revolução para o cinema?

Recebi algumas sondagens, mas nada muito sério. Quem sabe um dia no futuro?

Muito obrigado, Jorge, deixo aqui meus agradecimentos e tenho certeza que nossos leitores gostaram da entrevista e vão procurar saber um pouco maus sobre o "universo 2054". Desejo muito sucesso e esperamos novos títulos e outras aparições por aqui.

É isso ai, pessoal, um pouco sobre Jorge Lourenço. Entrem em www.rio2054.com.br, vejam o book trailer e descubram mais sobre esta trama que irá envolver vocês também.

Muito obrigado e até a próxima.


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